Desenvolvo, em minha pesquisa, uma linguagem pictórica em que forma, corpo, gesto e matéria se tornam ferramentas de construção territorial. Por meio de sucessivas camadas de tinta aplicadas, removidas e raspadas, a superfície do suporte adquire uma dimensão topográfica, como se cada camada registrasse vestígios de ocupação, apagamento e reconstrução. Por meio da relação entre geomapeamento, fotografia digital e construção pictórica tensiono cartografias aéreas de campos agrícolas, abstração a partir de estruturas urbanas e arquiteturas internas da memória.
Essa relação entre o gesto e a fricção entre o real e o imaginário produz marcas que carregam a extensão do meu corpo no espaço do suporte, transformando a pintura em um ato performátivo onde limites são continuamente criados e desfeitos. Linhas, campos geométricos e zonas cromáticas surgem como demarcações que não pertencem a um mapa real, mas a uma experiência íntima de deslocamento e percepção interior, propondo uma reflexão sobre a maneira como habitamos o espaço físico, emocional e simbólico.
Simone Sarmet








